14 março 2007

histórias de porteiro

Ao chegar em casa ao meio-dia encontrei o porteiro atordoado contando a um vizinho do causo de um senhor que foi à farmácia e solicitou um remédio. A moça falou que não tinha e ele respondeu que então ia se matar.

Teria virado as costas e caminhado até o viaduto Otavio Rocha, o viaduto da Borges, e se jogado, caíndo em frente a um ônibus que teria passado por sobre sua cabeça.

No elevador comentei com o vizinho que este homem tinha conseguido o que muitas moçoilas não conseguiram logo da inauguração do viaduto, lá pelos aúreos anos 20. Elas escreviam cartas suícidas, repletas de romantismo e saltavam do que na época era a mais vistosa obra de engenharia da cidade. Não morriam e pior, quebravam pernas e braços, pois afinal o viaduto não é tão alto assim.

Como não encontrei nada nos veículos de comunicação básicos segui até o site da eptc, o órgão oficial dos acidentes de trânsito na capital dos gaúchos:

12 março 2007

Café com porrada

Não faz muito tempo na Redenção tinha um canto onde se podia alugar bicicletas, o chamado bicicletário.

O prédio de linhas modernistas fica na beira do lago e em sua volta sempre se concentraram os vendedores de pipoca, algodão doce e aí vai...

Dentre as recorrentes políticas da prefeitura de "revitalização" de espaços o biciletário entrou na roda e se transformou no Café do Lago.

No começo gostei da idéia, Porto Alegre voltava a recuperar sua tradição dos cafés (aquela vivida até os anos 60 quem sabe) e a Redenção tinha um lugar legal para tomar um Chopp e curtir o fim de tarde.

Claro que o lugar virou point, mas com isso veio a elitização, outra característica clássica dos espaços de Porto Alegre. Muitos espaços para poucos frequentarem.

Consumação, preços elevados, cardápio mirrado, música de pizzaria tocada no piano....

Só para lembrar, o espaço é público. Concedido e não privado. O parque da redenção é área municipal, portanto o Café cumpre ali um papel, não estando livre a fazer o que bem entender.

Estes tempos passei por ali à tardinha e chamou-me a atenção os inúmeros carros estacionados na volta do café.

A Smam determinou a interdição do "estacionamento" do Café do Lago e parece que o Concessionário não gostou e intermediou diretamente junto ao Secretário Beto Moesch uma petição para resolver a questão...

Pena que o Secretário tenha se envolvido novamente em uma briga o que com certeza acaba denegrindo seu trabalho que, tem ido bem além dos últimos secretários.

Afinal ninguém tinha enfrentado os loteadores clandestinos da zona sul com tanto ímpeto.

07 março 2007

Cachaça

O governo brasileiro, não contente de ostentar que as hidreelétricas são energia renovável agora tenta engambelar com esta de combustível verde...

Começo a achar que a solução é um trem bala para Cidreira.

02 março 2007

Barra Grande

Esta história ainda vai longe.

Que pelo menos seja lembrada pela mentira que tem se disseminado que hidreelétricas são energias renováveis, pela inoperância do poder público na fiscalização do licenciamento, pela fraude do EIA/RIMA e pelas loucas interpretações dos nossos meretíssimos juízes.

Lá se foram, pelas contas da Apremavi, cerca de 6.000 ha. de mata, 2.000 destes de mata de araucária nunca tocada.



Hoje mais um capítulo:
CORREIO DO POVO PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 2 DE MARÇO DE 2007
Energética Barra Grande deve pagar R$ 21 milhões.
A Justiça Federal determinou ontem que a Energética Barra Grande S/A (Baesa) deposite em juízo R$ 21 milhões. O valor está previsto no termo de compromisso que permitiu a continuidade do licenciamento da hidrelétrica no rio Pelotas (divisa com SC). O depósito visa compensar impacto com supressão de vegetação para formar o reservatório. O depósito deve ser feito em 10 dias, sob pena de multa de R$ 10 milhões.


Fazendo uma conta simplista:
R$ 21.000.0000/6.000ha = R$ 3500,00 por hectáre de mata destruída. Nem precisa fazer a conta de quantas araucárias tem por hectáre.

Saiu barato, e não me surpreende se eles não pagarem....

Conforme os ilustres empreendedores , Barra Grande gera 709 MW, com base nos 3.334.056 MWh/ano previstos no Contrato de Concessão e o Valor de Refência de R$ 77,70 por MWh a BAESA precisará de 29,58 dias de água passando pelas turbinas para quitar sua dívida com a justiça.


Impossível não copiar esta pérola do síte da Baesa:
A construção da Usina Hidrelétrica Barra Grande e a implantação dos programas ambientais comprovam que é possível conjugar desenvolvimento socioeconômico com preservação ambiental. Indispensáveis para o futuro, as duas metas podem ser alcançadas de forma harmoniosa, desde que cada projeto ou ação seja norteada por valores que priorizam a natureza e o ser humano.

27 fevereiro 2007

Orcuticídio

Sempre me pergunto da finalidade e necessidade de alguns contas aparentemente indispensáveis....

Para quem começou na época do ICQ o msn até passa, mas encher o orkut de scraps com bobagens, participar de 300 comunidades, discussões em que ninguém le o que o outro postou e registrar por onde você passou é demais...mensagens póstumas nem se fala. É o fenômeno da rede, comunidades que levam a outras, estratificações, perfis anônimos e aí vai.

Até pensei em orcuticídio mas deixa assim, de vez em quando vale a pena olhar.

A garota deste post foi mais corajosa e os argumentos se encaixam direitinho...

16 janeiro 2007

Mais sobre gatos

Catei esta matéria na Wikipedia, considerando-se que os parques não deixam de ser ilhas urbanas a situação fica mais drástica.

Você sabia que ..."A extinção da ave conhecida como cotovia-da-Ilha-Stephen deveu-se unicamente a ação de um gato chamado Tibbles?"

12 janeiro 2007

Gatos na Redenção

Parece que finalmente saiu alguma matéria menos emotiva e com um mínimo de razoabilidade sobre a questão dos gatos no parque da redenção.

Só pra constar, não tenho nada contra os felinos domésticos aliás, quando morava numa casa também tive (não um, mas três, não simultaneamente é claro) e até chorei quando um deles sumiu. Passei a noite procurando-o pela vila...

..apaziguadas as partes posso agora me posicionar mais confortavelmente...

Quando o calor em Porto Alegre não é infernal ou a chuva não é bíblica procuro ir a casa a pé na hora do almoço, da santana até o centro, cruzando a Redenção.

Há alguns anos, mudando o caminho dentro do parque, já sabia até onde ver um ou outro tipo de pássaro, e muitas vezes surpreendendo-me quando via alguma espécie nova ou que fosse difícil de encontrar na área urbana.

Sim, adoro sacar os pássaros, tenho meus livros e tal...

Acontece que de uns tempos para cá ficou cada vez mais difícil de se ver aves na redenção. A população diminuiu( e muito) e não há como dissociar o fato da proliferação dos gatos na área próxima da administração do parque (é, ali mesmo).

O assunto sempre foi tratado pelos meios de comunicação pelo enfoque 1- não abandone os animais; 2 - as pessoas que cuidam deles são queridas e 3 - existem animais que agridem os animais. Todos aspectos relevantes mas que acabaram por acentuar e justificar a presença dos gatos no parque (infelizmente serviu como propaganda da área...)

Diante deste fogo cruzado de radicalismos fica difícil se estabelecer uma discussão do tipo:
_ Os parques urbanos crumpem uma função essencial na manutenção da qualidade de vida da cidade, seja na manutenção das áreas verdes, purificação do ar, diminuição do calor, beleza paisagística, lazer, fugir da agitação uns instantes e ---servir como corredores ecológicos, permitindo a manutenção de um mínimo da fauna do que já existiu na cidade---.

A matéria foi publicada na ZH de hoje. Espero que com isso as pessoas começam a se questionar se um dia poderemos usar os espaços públicos da cidade com parcimonia, servindo a todos, inclusive aos que estão aqui desde bem antes de nós.

01 dezembro 2006

A maldição do Casarão


A maldição do Casarão

Era uma vez um belo prédio de estilo neo-clássico localizado na Cidade Baixa.

Alugado pela Urgs para acomodar a gráfica e alguns outros projetos acabou servindo a diversas entidades ambientalistas que na época orbitavam em torno do DAIB e após muita reivindicação migraram para lá.

Lá nasceram e terminaram diversas entidades. No "auge" da ocupação era possível, numa noite de quarta-feira qualquer, participar de uma reunião, de uma roda e capoeira ou mesmo repicar umas mudas, pois lá também era um viveiro de nativas.

Pelo menos três entidades com alguma história ocuparam espaço por lá. A Agapan (Poa) tinha sala cativa, a Clepei(Itapuã) a salinha e a Anama (Maquiné) e o Ingá também se reuniam por lá.

De lá saíram desde bandas de forró universitário (O Zé Arão, pra quem não lembra), manifestos contra construção de barragens a feira de produtos ecológicos. A "Cesta" talvez tenha sido o último movimento do Casarão, antes do seu fechamento, das constantes ameaças de despejo e as clássicas batidas da guarda da urgs.

O Casarão, conhecido pela imponência de sua fachada e as intermináveis divisões internas teve seu auge na mídia na coluna do Barrionuevo, naquela época no ZH. Após a eleição de Olívio, Barrionuevo noticiou o que chamou de "tempestade do casarão", onde relatava a maior concentração de ambientalistas por metro quadrado que porto alegre já viu, reunidos na sala grande. Naquele dia o futuro Secretário de Meio Ambiente, Claudio Langone, pedia a benção aos ambientalistas para a criação da Sema e sua indicação ao Secretariado. A partir daí as coisas mudaram e ...o movimento ambientalista, coopetado pela ilusão de participação direta, acabou se desmanchando (claro que alguns sobreviveram, ainda bem...).

Depois do despejo, além das inúmeras memórias sobrou o logo da Clepei pintado no muro. Impossível não sentir um pequeno aperto, cada vez que se passava ao lado do viaduto, ao ver o casarão com uma luz acessa e um bando de cachorros no térreo.

Assim ele ficou por mais ou menos uns três anos, até que há poucos meses, algum investidor resolveu olhar com outros olhos as dezenas de metros quadrados distribuídos numa área cada vez mais valorizada da cidade.

O segundo choque foi ver as janelas e portas arrancadas...era isso, agora ele ía de vez...mas as pinturas na parede ficariam com certeza.

Engraçados os comentários que ouvi, na rádio e na rua...era uma antiga casa de estudantes ou seria um local de encontro do MST...

mais no ClicRBS

26 setembro 2006

Fantomas


Um dos meus primeiros mitos...nunca podia imaginar que ele era de caxias...nem a esposa sabia que ele era o fantomas, diferente do ze dirceu, que passou anos no "exílio" no interior do paraná sem nem sua mulher saber...

No ano que se foi o syd barret também vai o fantomas. Do diário gaucho de 26/09/2006.




Gente
Fantomas deixa o ringue da vida
Resumo da Notícia: Popular nos anos 60 e 70, o personagem era vivido por Propício Gazzana da Silva, que morreu sábado, em Caxias do Sul

Um dos mais famosos lutadores do programa Ringue 12, sucesso da TV Gaúcha (hoje RBS TV) nos anos 60 e 70, morreu sábado, aos 67 anos, em Caxias do Sul. Propício Gazzana da Silva ficou conhecido como Fantomas, o Vingador Mascarado, e fez sucesso nos shows de luta livre que eram transmitidos ao vivo. Propício sofreu um infarto quando visitava familiares em Caxias.

Nem a mulher sabia da carreiraNo programa, além de Fantomas, também se destacavam lutadores como Cigano Stiner, El Condor, Gran Bartholo, Homem Montanha, Sanchopança e Ted Boy Marino. Durante anos, Propício manteve secreta sua identidade de lutador até mesmo para a própria família. Até mesmo a mulher, Beatriz Bombassaro da Silva, que assistia ao programa, não sabia que o marido era o protagonista.

Propício teve carreira militar



Natural da cidade da Serra Gaúcha, Propício era militar, professor de artes marciais e começou sua carreira no 3º Batalhão de Polícia do Exército (PE), em Porto Alegre.Mesmo depois de promovido, gostava de ser tratado como seus soldados o chamavam no quartel: "Sargento Propício". Lá, foi um dos fundadores da Companhia de Escolta e Guarda. Poeta, gostava de escrever sobre a Praça do Portão, antiga sede da Polícia do Exército.Morava havia oito anos em Florianópolis, capital de Santa Catarina, com Beatriz, sua mulher há 44 anos e mãe de seus filhos, João Mitra, Chuchi Silva, Helenara e Lisandra.
Tinha oito netos: Enzo, Franco, Gianna, Andreza, Amitra, Airon, Yasmin e Peterson.Além de militar e lutador, ele foi chefe da segurança do governador gaúcho Euclides Triches e segurança do então presidente Emílio Garrastazu Médici.

13 setembro 2006

Garoto sai ileso após queda do 4° andar

Será que foi o anjo da guarda?

Terra - http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1135697-EI306,00.html - Terça, 12 de setembro de 2006, 20h55

Um menino de 3 anos sobreviveu a uma queda do quarto andar. Luís Henrique caiu por 12 metros de um prédio, localizado em um comjunto habitacional do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo.
De acordo com o SPTV 2ª edição, ele não sofreu fraturas, apenas pequenos arranhões. Enquanto a mãe fazia o jantar na noite desta segunda-feira, o garoto brincava no quarto dela. Ele subiu em uma cadeira, alcançou a janela e pulou.
A criança afirma ter sido salva por um homem, que ninguém viu, nem mesmo sabe quem é. Após 14h de observação em um hospital e uma bateria de exames, o menino foi liberado.

01 agosto 2006

Nos primórdios

A idéia incial deste bolg foi de utilizá-lo para divulgar temas relacionados à temática ambiental, de um ponto de vista bastante crítico, para não dizer cáustico.

O tempo passou e só surgiram algumas poesias que estavam guardadas no fundo da gaveta.

Resgatando o espírito relatamos como tudo começou: A pinta da banana.

17 dezembro 2005

véu

O véu de noiva
voa vago
sob velas
enquanto a bela
põe pés
sobre tapetes
Antes mesmo de
anteceder a Lua
Sem véus
Só nua
Iluminando tua
Clara e cega
Ria

13 dezembro 2005

Margaridas azuis

Multidão multimidia
Multimidia melecada
Exporreada na tela
Que separa esta de outra cela
Enquanto medidas inexatas cultuamvozes insanas
Holofotes azuis emitem aneis de luz
Seguidos por cegos alados orientados
por faces estelares
Margaridas azuis fluorescentes acenam
para rostos caricatos
rindo da minha cara
enquanto rolo sobre ondas
Passos sem avanço
Enquanto circulos balançam a tua frente
E aquela que dança agora acima
alguma outra forma
abusada de iluminar
Seguido de perto o rei Hindu
não teme
Sequer o solo treme ao velo passar
minha pequena ouvinte
minhas ríspidas palavras
arranhando estupido o teu veu

28 julho 2005

pouco de Belém

Porto Alegre tem
um pouco de Belém.
Um povo pouco zen
Um jeito forte de falar.
Poucas palavras pra dizer
tudo que tenho para contar
destas histórias loucas
que o tempo vai apagar.

Belo Sol

Aproveitastes o belo Sol que fez o dia.
As vezes é preciso inventar pra se ter alegria.
As vezes é preciso esquecer pra diminuir a agonia.